
Eu sempre tive uma relação com as palavras. Uma vez me disseram que “quem escreve se decompõe…”
E sempre foi assim, decompondo-me em pedaços fora de contexto. E o pior é que de tão detalhistas esses pedaços, eu me perco em minhas próprias palavras. Gosto da auto-analise, de me desconstruir e tentar entender cada detalhe de mim, cada versão e saber lidar com as inconstâncias, saber lidar com o meu mundo, tudo o que passa comigo, desde as emoções avassaladoras a momentos calmos.
Meu mundo, que é um bom lugar para me encontrar, o mundo que eu resguardo. Porque não conheço nada além de mim mesma. Eu e todas as coisas que vão além de mim, mas começam em mim.
Quem me dera fosse egoísta. Talvez assim eu não pensasse tanto em várias pessoas e me preservasse mais. Talvez assim eu ainda tivesse pedaços legíveis de emoções. Essas emoções que não são minhas foram impostas por pessoas que passaram pela minha vida. Sou a egoísta que deseja a solidão, que deseja sempre resguardar os meus momentos solitários, minha companhia agradável que me faz sentir tão leve, serena...
Recentemente estava fazendo um flashback das pessoas que cruzaram o meu caminho e pensei, confesso um pouco irritada, o quanto me desarmei e tentei fazer o possível e porque não o impossível, para alegrar e proporcionar nostalgias calorosas e bonitas. Me apego fácil. Gosto fácil. Enjôo rápido. Sumo com facilidade. Esqueço na mesma forma que gosto. Como oferecer um pouco de mim a estranhos, estranhos que desconhecem a preciosidade desse gesto, do significado que tem para mim? E uma vez nas mãos delas, o pedaço poderá nunca mais voltar. Como me tornarei de novo inteira sem o pedaço que essa pessoa levou? Está bom, umas valorizam, pois até hoje permanecem e cuidam de mim, gratificante os meus erros, pois reconheço o valor dos acertos.
Não acredito que escrevi tantas coisas para explicar o quanto está doendo ter perdido outra parte de mim. Escrevi tantas palavras, que passarão batidas, para dizer que está doendo e quando eu acho que que não pode piorar, piora! Que estou tão cansada de manter meu sorriso, de manter esperanças, pois como sempre falam “a alegria vem pela manhã” Estou esperando o amanhecer...
Talvez meus pedaços, espalhados nas mãos das mais variadas pessoas que ofereci, assim, sem pensar direito, talvez não precise delas. Talvez eu consiga ser eu mesma apenas com o que me resta, porque o que eu ofereci eram as partes que menos valiam a pena. O que é bom está guardado e não pode ser oferecido.
Meu espelho quebrado são apenas os reflexos do meu não – pertencer. Mas eu sinto que alguma coisa é estável em mim, e não faz parte desses cacos. É o meu sonhar. E isso ninguém pode tirar de mim.
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